Convocação, por Gabriela de Sena.

Perceba seu lugar na luta
Na luta cabem saltos e túnicas
Cabem donas de casa e as putas
Leitoras assíduas e as que vão pra missa
As que preferem chá, as que em tudo veem malícia
Mulheres, povoem o mundo!
Saiam do poço profundo da submissão
Ouça rap, ouça um forrozão!
Dance até o dia amanhecer, dança até o chão
Que mal faria se você se entender
Bem melhor com uma mulher?
Se as curvas dela te atraem mais que todos os músculos desfilados?
Errado é passar vontade, caralho!
Nunca se sinta deslocada, se sinta abraçada
Faça pra si, busque o prazer
Confia em si, procura aprender
Num trago, num gozo, num lugar novo

Saiba das dores da maternidade
O violento processo de perpetuação
Da nossa espécie, é o sonho da sociedade
O capitalismo brinca com a nossa noção
A TV constrói um cenário de delícias
A maior violência contra a vida da mulher de verdade
É chamada violência obstetrícia
Essa é a nossa realidade
Não sou menos mulher sem filhos
Saúdo às mães que trilham seu caminho
Não deixem que o capitalismo abra um buraco
Com comerciais de pernas sem celulite
Tipo a Bruna Marquezine, as panicats
E maquiagens exatamente pro seu biotipo
O bonito é personalidade sem essa audiência
Mas se o investimento em si é com consciência
Que mal faria um batom, um delineador?
Se não te causa dor, apenas seja!
Beija o espelho e muito axé!
Homens não são nossos inimigos, o sistema é
Reverteremos ao nosso favor, ao prazer feminino
Vamos ceder às tentações, alcançar fetiches
Tomar o poder das nações, ser menos atrizes
Desejar, entregar o corpo e o espírito
Mulheres, uni-vos!
Não quero uma de nós no seu partido
Quero revolução, quero um partido nosso
Se a sociedade não abrir seus ouvidos
Explodo os tímpanos com meu ódio!

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