Desamores, Por Régis Carneiro.

1. embalando os sonhos de quem acredita nela
e o alívio de um suspiro humano te faz ver
por tormentosos segundos, o caminho que não
podes ir.
Não aceita moedas, somente as de vermelhas cor
consumindo teu eu, impiedosa, sorrir ao te ver afogar
tuas fúnebres dores, alimentando teus escassos amores
como caça nas garras de um predador.
Entrega-se aos alívios de uma noite qualquer
tão leve, levemente te tragando, afundando como chumbo
e o manto de uma noite fria, vil, veste uma criança que
acode os braços por calor, esfriando na eternidade, seu coração
coração que só não se achou neste mundo desmontado

2.
Pratos à mesa, mesa e eu e só
do nó do peito à luz que a escuridão desfia
de passos pôr sobre a madeira velha que range
e por descuido, o silencio tange
Ardendo de ver cores de vida por trás de um
vidro cinza. Ando atento a qualquer coisa tua, jazia
sento no fim de mim e recomeço tudo
porfia do que me faz a vida entender, demasia te tudo
o que me lembra você
O que queres que eu ainda ache nesse universo depois
de você?

3.
Ó que de pranto hoje o dia se faz
choras amor, pois de impiedade morreu o amor
choras mais e regue tuas raízes de água-sal
que em teu jardim nem as borboletas voltem.
Chora amor, pois em lembranças e lembranças
perpetua finos acordes réquiem.
choras amor, pois o dia que era claro baixa as cortinas
pra ser um só com si.
choras amor, chora o amor, aquele sorriso não será teu
e logo se perderá nas corredeiras do tempo.

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