Li isso a nona vez, por Victória Emanuelly

 

 

Li isso com falta de drama
Com nó na garganta
Com calos a mais
Gritando por dentro fui criança
Que berra como jamais
Joguei pedras perdidas na minha zanga
Li isso e pude ver
O quão bobas as palavras,
perdem seus pertences sem se descrever
Leio isso agora diferente
Um sossego na voz tremendo
E eu nem preciso
Sei cada verso implacável do meu descarrego
Na última instância, a brava leitura peço conselho
E pode funcionar
Li isso quando nem fiz
Quando exaustivamente me deduzi
Era algum abismo
E, no meio do meu rosto um cílio caído
Cumprimentos a ele que ainda resiste,
As imperfeições mais inquietas de mim
Porque ao instante, a lágrima dá palpite
E pode tirá-lo daqui
Li isso, como uma folha que já tracejada
é outra
Outra coisa, nada não!
Movendo areias pude ser mar
Aquele que não deixa de ser imenso e escasso
Quando perde o A.

Victória Emanuelly Silva dos Santos (Escritora e Acadêmica do curso de Letras Português – UESPI)

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