Livre e espontânea pressão psicológica, por Eriedina da Hora.

Nunca me imaginei passando horas a fio apenas olhando o teto do meu quarto. Mas também nunca havia imaginado qual o motivo de o fazer. A maioria das pessoas – aquelas que não têm depressão – acham que é fácil lutar contra isso. Que levantar da cama é algo simples, e que saindo dela todo o tormento cai por terra. Mas não é bem assim. Primeiro que, nem vontade de levantar se tem; segundo, que estando expostos a certos ambientes queremos voltar para nosso cantinho. São extremos difíceis de lidar.
Fato é que muitas pessoas, mas muitas mesmo, sequer fingem ter vontade de ajudar – seja da maneira que for. Elas, na verdade, sentem-se bem expondo o asco que têm por nós. E isso na maioria das vezes – como pingos de tinta preta – caem sobre aquela minoria que se sensibiliza. Isso é deplorável.
Não posso dizer que dou corda àqueles que chegam e demonstram que de fato se importam. É complicado. Existem nós, nós que eu tento desmanchar, e normalmente quando aceito assessoria, eles aumentam em proporção. Com isso, percebi que eu quem estou incumbida de realizar tal tarefa. Há dias em que simplesmente largo tudo, mas também há dias em que ando perto de terminar – acho.
A questão é: por mais dilacerante que venha a ser, se paro, sei que nunca terei chance de acabar. E se luto, sinto desejo de lutar. Se tem coisa mais estranha que ter vontade e não conseguir se entregar, eu desconheço.

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