Morte, por Jefferson Dion

 

Agora já não dói mais, teu cálice sagrado foi desperdiçado nos dias floridos que a gente tanto esperou, mas eles não chegaram!
A minha vergonha é um abutre comendo os restos de me mesmo enquanto sol queima minhas asas!
Se fiz alguma bondade até hoje, dela me desfaço, não por ser ruim, mas por ser tão frágil.
Buscando algum sentido nessa existência imoral e incerta, neste mundo podre de pobres arrogantes!
Vai, segue o teu rebanho, os teus deuses, segura as tuas verdades com vontade, levanta tuas mãos para o Trono que desejar, para a mesa mais farta, e eu sei que mesmo comendo os restos, as sobras.
Tu, te sentirá um deus poderoso e cruel!
O vento que acaricia o teu rosto é o mesmo que arranca as flores dos cemitérios.
A chuva que cai no telhado é a mesma que cairá no teu túmulo e talvez você não ouça!
Jogue para bem longe este teu desejo em me ferir, sangrando eu não consigo te abraçar, no chão eu não vou poder segurar teu corpo quando ele cair novamente.
Faça as suas escolhas, trilhe um caminho quente ou frio, e quando pensar em destruir tudo: sinta o vento, ouça as gotas que caem do céu e não desperdice mais teus cantos com a maldade, pois a voz que canta é a mesma que será calada diante da morte
Quando o silêncio chegar: não dará mais para pedir perdão.

Jefferson Dion (escritor)

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