O neutro de mim, por Jessika Suze

 

Quando cheguei no neutro de mim ,amei
Deixei os excessos do querer e as amarras do possuir
senti o gosto , nem amargo nem doce do destino
Neutro, senti o primeiro gosto , o ectoplasma do mundo
senti o gosto da lágrima, o neutro da água
o colostro que escorria pelo seio da mãe que amamentava
pude equilibrar o mundo que pesava
não quis as respostas a essência do nada me bastava
Entendi a unidade da vida, desumanizei o cristo
alarguei o DEUS, senti de fato o que chamam amor maduro
alvoreci em dias de tempestade, catei o caos e dei forma fixa
caminhei pelo meio, mesmo sabendo que as beiradas são sempre mais seguras
me prendi no instante, não pude ter a segurança de uma passado já vivido
muito menos a esperança de um futuro idealizado.
Quando cheguei no neutro de mim adquiri a leveza de um pássaro
e voei pro alto iluminado e inexpressivo de mim.
meu lugar de paz.

Jessika Suze

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