Réquiem da Vovó, por Daniel Lima

 

Fomos a um show de rock alguns anos atrás; a senhora ficou em casa, não gostava dessas coisas. A banda tinha uma música que se encaixa ao momento pelo qual todos nós hoje aqui presentes estamos passando: “Tenho certeza que vou te encontrar, não sei o dia e a hora, mas sei o lugar. Sei que você está bem, mesmo assim, isso não me impede de chorar”. Essa canção expressa o sentimento que tem nos acompanhado ultimamente: saudade. Que estamos sentindo e que sentiremos dos seus dizeres, das suas manias, dos seus conhecimentos duvidosos, mas precisos, sobre o clima, os passarinhos e as estações do ano; das histórias de um interior quase mítico na minha imaginação e na de meus primos, contando sobre tantos amigos que já se foram, sobre a Maria que gostava de dormir no forno à lenha, acordava com a cara cinza e recebia um sabonete da senhora:” Pega, Maria. Vai te banhar”; sobre o de comer dos trabalhadores e de tantas histórias e expressões ainda inéditas aos meus ouvidos atentos.

Sempre sentiremos saudade da senhora bondosa, carismática, cuidadosa – às vezes até demais – e com o maior coração que já vimos.

Vovó, repouse despreocupada, porque ganhamos de ti o suficiente para te termos apenas em nossas mentes e corações. Deus fica contente por te receber na sua grande casa. Sei que você continuará sendo feliz. Assim me despeço. Saiba que te amo e que te amarei sempre.

– Durante as férias retorno a Parnaíba. Olhando pela janela do ônibus, pouco depois de entrar na cidade, sempre lembro-me dela.

O Cemitério fica pouco depois da entrada da cidade.

Daniel Lima (Estudante de Psicologia e Escritor)

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