Roseira poética, de Simão Cardoso: Alegoria moralizante na Fênix Renascida

 

ROSEIRA POÉTICA, DE SIMÃO CARDOSO: ALEGORIA MORALIZANTE NA FÊNIX RENASCIDA

Shenna Luíssa Motta Rocha

shenna.luissa@gmail.com

RESUMO:

Antologia com obras portuguesas do século XVII, A Fênix Renascida foi organizada e editada em Lisboa entre os anos 1716 e 1728 por Matias Pereira da Silva. A obra apresenta poemas escritos tanto em português quanto em espanhol e é composta pelos feitos poéticos dos melhores engenhos portugueses, de acordo com seu subtítulo. Nesse contexto, as representações poéticas seiscentistas ibéricas obedecem a um conjunto de preceitos estabelecidos para guiar o homem letrado e discreto. Tais preceitos não figuram apenas no âmbito da construção poética, mas também no que tange à doutrinação católica, como o tema da reflexão moral, que ilustra a condição de nulidade do homem diante dos desígnios de Deus. Essa reflexão moral baseia-se na doutrina estoica atualizada pelo cristianismo, altamente em voga no período da Contrarreforma. O tema central do presente artigo, portanto, é a verificação dessa doutrina moralizante cristã no exercício poético a partir de construções metafóricas que remetam o homem a sua condição primeira: ser perecível e sujeito à ação do tempo. Os objetivos são analisar a imitação poética de cunho moralizante, contemplando suas fontes religiosas e filosóficas no intuito de verificar no poema Roseira Poética, de Simão Cardoso, a representação dessa temática moralizante a partir da metáfora da rosa, imagem primeira da fugacidade do tempo e ilustração dos efeitos deste sobre o homem e a humanidade, de modo geral. Objetivamos compreender, ainda, o procedimento alegórico utilizado nesta composição. Nossa pesquisa é de cunho bibliográfico, fundamentada teoricamente em nomes como HANSEN (2006), MUHANA (2006), CARVALHO (2007), LACHAT (2013). Decorrente das análises realizadas, temos um resultado que se fundamenta na seguinte ideia: o discurso ficcional poético, não toca diretamente a verdade da revelação, sendo criação humana, mas essa mesma criação humana é veículo da doutrina por imitar os signos de Deus nas suas duas escrituras: a Bíblia e o mundo. No poema, a organização das imagens metafóricas compõe uma alegoria da vida humana, ao passo que afirmam o ensinamento doutrinário. A lenta transformação da vida em morte é verificada pela transformação que, ao longo do poema, sofrem os ‘objetos’.

PALAVRAS-CHAVE: Alegoria. Moralização. Poética. Rosa.

 

BAIXE O ARQUIVO COMPLETO

Shenna Luíssa Motta Rocha

Designed by Freepik